segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

2008



Não termino o ano sem mais um/este post, mesmo que seja feito a correr.
O ano está a terminar, e o balanço é fraco, mais uma vez. Vivemos numa democracia, e todos pagamos pelos erros dos outros e os outros pelos nossos.
Quem por cá pára, e pelo menos por isso, acredito sinceramente que não tenha muito a ver com o seguinte, mas para os outros, e para ver se isto melhora, aconselho que, para o próximo ano:
- deixem de votar nas eleições em quem vos fode (3 eleições em 2009), já chega de sermos comidos por trás;
- não acreditem em alternativas politicas à direita, elas não existem. Aqui em Gaia, temos o Rei do Arraial, e ele é uma merda;
- não acreditem em alternativas politicas à esquerda, elas não existem nem vão aparecer, mesmo mascaradas de deputados do PS fodidos por falta de apoio noutras guerras. Para estes, a Esquerda é a prima da Direita, que nem para bater uma serve;
- deixem de acreditar nas instituições, aqui nada funciona, sejam Tribunais/Justiça, sejam entidades fiscalizadoras;
- não acreditem que desta é que vai ser, em 2009, que o CR7 vai fazer um bom jogo pela selecção. Vai é continuar a dar shows tristes, como deu qd se virou para a assistência, é pobre e mal-agradecido;
- não acreditem na verdade desportiva, quem mais rouba é quem melhor se sai. E deixem de defender estes ladrões (as últimas jornadas de futebol foram uma vergonha), assim o país nunca mais avança;
- não acreditem na justa condenação de figuras públicas e proeminentes por crimes financeiros, por burlas económicas ou fraudes fiscais. Há que tapar os buracos, salvar bancos/instituições que foram mal geridas, por asnos de todo o tamanho, e deixar outros asnos em cargos bem elevados, escolhidos por Presidentes padrecos (não me saiu nada melhor, este PR é algo de ..... como direi?);
- não acreditem na justa condenação de figuras públicas e proeminentes por andarem a enrabar menores, não interessa se os violaram ou não, interessa-lhes é ver se as escutas são legais e outras merdas;
- já agora - deixem de ouvir versões tãoooooooo desinteressantes de músicas das Doce, de músicas do Carlos Paião, versões do Calhambeque Pi Pi - ouçam alguma musica de jeito;

São bons pensamentos, estes meus, acreditem, digo isto do alto da minha sapiência de 77 anos.
E pq é que vos digo isto? Porque não me conformo, todos os anos estamos pior, todos os anos somos fodidos, e eu não votei nestes gatunos, eu não defendo estes cabrões, e pago todos os dias por isto.

Bom 2009.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Alegre? Não, senhores, é Triste.

No congresso das Esquerdas, vi um Alegre a passear de papo inchado, um Louçã que parecia um lacaio atrás dele, e infelizmente não vi o líder do PCP (não sou comunista, apenas votei no Salgado Zenha, é o que tenho de mais perto com o PCP nestes anos).
Alegre, indisposto desde a falta de apoio para as presidenciais, faz birra todos os dias, luta contra o PS com ou sem motivo. Mesmo quando falta à Assembleia nos dias em que faz jeito uma ponte.
Aqui, a memória não é curta - se Alegre foi um lutador contra o fascismo, não me esqueço dos anos a fio em que votou cegamente nas politicas de merda do PS, nos muitos anos de deputado.
(imagem gamada ao Kaos)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Actualidades - 1896

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”

Guerra Junqueiro - Pátria - 1896